quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Back in the game


Casa lotada, apita o árbitro. A bola começa a rolar no gramado e a torcida vibra enquanto os primeiros passes são dados. Os rivais começam a se estudar, com curiosidade no ínicio e com um ar de certa malandragem logo depois.

O primeiro a entrar em cena é o olhar. Centro médio, estilo argentino. Elegante como um ganso. Arma jogadas com perfeição, deixando zagueiros e volantes comendo grama quando passa. Ele ginga pra um lado, ginga pra outro e faz jogada ensaiada, passando a bola para o sorriso.

Sorriso, irônico, lateral esquerdo de velocidade. Ele avança pelas beiradas do campo,tanto zunindo em direção à meta quanto desarmando, tudo com a mesma facilidade. Porém desta vez, é desarmado por um olhar doce como o mel, que é atirado em sua direção tão ligeiro quanto um ponteiro.

O centro médio pega a bola. Aquela piada para os amigos, a disfarçada, o gole de cerveja. A jogada recomeça. Ele vai, avançando pelo gramado, desviando de mesas, cadeiras e bebidas estendidas.

Chega na área, mas os zagueiros adversários o intercepta. Ele paassa pelo amigo bêbado, a amiga feia e a amiga bêbada e feia. Consegue driblar a marcação e oferece uma cerveja. Ela nega. Voltam os volantes, que passam para o centro médio e para o lateral. Sobe o atacante. Ele se aproxima, ela sorri...pênalti.

No final do jogo, o técnico pede a substituição e a torcida vibrando, enlouquece. E o coração, centro-avante de ofício, que estava lesionado há tanto tempo, volta ao gramado sorrindo.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Especialistas

Um dos maiores males da pós-modernidade é o número incontrolável de especialistas que surgem do nada.  Segundo o dicionário, um especialista é aquele que se dedica exclusivamente ao estudo ou à prática de uma ciência, uma arte ou profissão. Nesta realidade pós moderna, em que a informação está ao alcance de todos em apenas um clique, uma pessoa se torna especialista em algo a cada link que lê na Wikipédia.

O problema dos pseudo-especialistas é que eles possuem uma necessidade quase fisiológica de externar suas opiniões para meros mortais, desprovidos de conhecimento.

As redes sociais são o ambiente perfeito para a proliferação dos pseudo-especialistas. Pseudo-vegetarianos, pseudo-ambientalistas, pseudo-intelectuais, pseudo-comunistas dão suas opiniões cada vez mais medíocres e sem nexo.

Os especialistas dizem que devemos nos preocupar cada vez mais com os animaizinhos e que devemos deixar de lado a raça humana. Estamos na era em que um presidiário deve ser previamente executado sem ter direito a ser julgado. Quem não concorda deve ser excluído. É o novo nazismo, chegando sem ser percebido.

O botão compartilhar é o novo “Heil Hitler”, o unfollow, é a nova câmara de gás.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Crônicas Divinas: O início.


O Universo em seu início era um lugar escuro, frio e muito chato. Muito parecido com o Presídio Central de Porto Alegre, só que sem toda a movimentação dos detentos, com seus contatos fora da cadeia, celulares e drogas ilegais. No começo o universo era vazio, mas logo uma idéia surgiu, e da queima de neurônios produzido por essa idéia, houve uma grande explosão que deu origem a alguma coisa, que no começo era pequena, mas como toda boa idéia foi se expandindo.
O grande projeto inicial era construir um Universo perfeito e harmonioso, mas como todo projeto feito com dinheiro público não deu muito certo. O idealizador da idéia foi um grande empreendedor, que hoje todos conhecem como Deus.
Como dito antes, o Universo em seu começo era muito escuro e frio, então para que se desse o início das obras, Deus mandou que se fizesse a luz. Grande erro, assim que as primeiras luzes se acenderam e iluminaram a grande escuridão viu-se que o espaço vazio no Universo era enorme. Deus, que estava sozinho no começo da empreitada, decidiu criar ajudantes para realizar seu grande objetivo.
O Todo Poderoso, em sua grande sabedoria criou então os anjos, seus eternos e fiéis ajudantes. O primeiro anjo foi batizado como Lúcifer. Deus, como era um grande empreendedor, decidiu usar Lúcifer como seu braço direito, pagando um baixo salário, sem saber, criou o primeiro estagiário.
Como sabemos, Deus foi um grande engenheiro e como todo engenheiro, péssimo publicitário. Como não gostou do nome Lúcifer, decidiu colocar no nome de todos os outros anjos o sufixo “el”. Criou então Gabriel, Miguel, Rafael, Castiel, Haziel, Eymael e Pastel, este último, o único que realmente pegou e é celebrado ainda hoje em botecos, padarias e lancherias de beira de estrada.
Com seus ajudantes criados Deus, agora chamado de Poderoso Chefão, decidiu começar as obras no Universo.

Continua no próximo post...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Restaurante Antropofágico do Fim do Mundo


O Restaurante Antropofágico do Fim do Mundo dispõe de farta gastronomia para aqueles que procuram novas experiências. Com pratos especialmente preparados pelos melhores chefs do mundo e uma localização privilegiada, o Restaurante Antropofágico do Fim do Mundo é o melhor lugar para você que tem um gosto refinado.
Venha experimentar nossas especiarias, o nosso menu é escolhido especialmente por um grupo de maitres de todo o mundo. No nosso cardápio estão pratos raros e deliciosos não encontrados em qualquer outra parte do globo
Venha provar e se deliciar com a carne tenra e macia de Prostitutas Infantis da América do Sul. As deliciosas Costelas de Modelos Anoréxicas ao Molho Madeira. O suculento sabor da carne das Crianças da Favela com Azeitonas.
Confira também a especialidade da casa, Cabeça de Bispos Católicos Recheado com Fetos Abortados de Mulheres Etíopes Aidéticas. A carne é um pouco dura, mas o sabor e a textura são inigualáveis.
Venha conhecer nosso ambiente climatizado, onde você poderá encontrar diversas personalidades do meio artístico, empresarial e político degustando nossos pratos.
O local é de fácil acesso, é só prestar atenção aos sinais à sua volta. O restaurante funciona todos os dias, sem intervalo. Atendemos com a maioria dos Cartões de Créditos Gold e Platinum. Venha conferir.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Amélia é que era mulher de verdade.


Amélia era uma garota da noite, gostava de baladas, pagode, curtição. Um certo dia, daqueles em que o tempo parece correr devagar como um cusco manco na beira da estrada, ela encontrou com um garoto de roupas negras e cabelo comprido, camisa de banda e coturno, foi aí que tudo começou.

Adair não deu muita bola para ela no começo, estava bebendo na porta de um bar com seus amigos, falando mal dos pagodeiros e gente do tipo. Mas logo aquela coceira no fundo do peito começou a brotar e uma coisa levou a outra. Os dois foram apresentados por uma amiga em comum, colega de cursinho de Amélia, amiga de Adair. E o destino, este ser incompreensível, uniu os dois.

Ficaram algumas vezes e logo começaram a namorar. O amor dos dois parecia coisa de novela, algo que apenas a mente de Shakespeare poderia conceber. De um lado as amigas de Amélia tinham medo de Adair, por outro os amigo de Adair faziam chacota e riam nas costas e na frente de Amélia. Os dois não dando a mínima para o mundo continuavam vivendo no seu próprio universo perfeito. Amélia prometeu parar de ouvir pagode e Adair era feliz.

Mas como tudo que é bom sempre acaba, cumpriu-se o ditado, Amélia, cansada de sua liberdade de solteira e já de saco cheio de ter que ouvir Heavy Metal todas as vezes que transavam, começou a sair com suas amigas para a balada, dizendo ao seu namorado que ia para o cursinho. Este aproveitava o tempo para beber com os amigos.

Um dia, enquanto Adair estava bebendo na porta de um bar, viu Amélia saindo do mesmo. A dor que sentiu foi equivalente a um soco do Tyson na boca do estomago. Como bom macho que era na frente de seus amigos, foi logo tirar satisfação. Amélia, sabendo que se falasse que tinha ido só para ouvir pagode estaria solteira no mesmo dia, disse que estava traindo Adair.

Adair saiu abalado, seu mundo havia caído, mas depois de pensar muito resolveu ligar para Amélia desculpando-a. Seu amor era mais forte do que a traição e, afinal, ele havia sido traído por um simples mortal e não por um modo de vida.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A sorte de Adalmir


Adalmir nunca perdeu uma aposta. Desde criança quando apostou com seu vizinho que o gato da rua iria morrer após ser atropelado e ganhou duas bergamotas nunca mais perdeu. Aquele era seu amuleto, toda vez que apostava algo pensava no gato morto e pimba, a aposta estava ganha.
Quando cresceu apostar não virou um vício, mas sim o seu ganha-pão. Adalmir nunca foi rico, mas mesmo assim sempre teve tudo o que quis, as mulheres mais desejadas, os charutos mais finos, as bebidas mais caras. Quando lhe faltava dinheiro ia para as corridas de cavalo, ou apostava no futebol. É considerado por muitos o responsável pela vitória do Grêmio na Batalha dos Aflitos, pela derrota do Brasil pela Holanda na Copa do Mundo e pelo Inter ser Campeão Mundial.
Certo dia, em uma roda de amigos, alguém propôs uma aposta que ele não pode recusar: se ele parasse de apostar seus amigos iriam bancar sua vida para sempre. Adalmir preso em um dilema moral aceitou a aposta, e foi aí que seus problemas começaram.
Nos primeiros meses tudo ia bem, mas de repente Adalmir começou a definhar. Sem suas apostas sua vida mudou completamente, não tinha mais mulheres, não bebia mais e parou de fumar. Com o tempo ficou doente e quase chegou a falecer por complicações hospitalares. Ninguém sabia o que fazer, os médicos não descobriam sua doença e nada parecia animá-lo.
Uma noite Adalmir sonhou com o gato morto, acordou e no mesmo instante fez uma ligação que mudou sua vida novamente. Na outra semana já estava bebendo e se divertindo de novo como se nada tivesse acontecido. Foi a única vez que Adalmir perdeu uma aposta.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Na noite de carnaval


O Pierrot apaixonado
sofre pelo amor da Colombina,
já meio embriagado
abraçado com a Bailarina

A colombina saltitante
dança pela noite sem fim,
não percebe e em um instante
está nos braços do Arlequim

O Arlequim meio oitavado
já não lembra de sua vida,
não sabe quem está ao seu lado
e esqueceu a Bailarina

A Bailarina a sonhar
abre os olhos com espanto
e percebe que num canto
a vida corre devagar

E a vida continua
pelo meio do jardim,
no céu já não se vê a lua
e o carnaval chega ao seu fim.