Casa lotada, apita o árbitro. A bola começa a rolar no
gramado e a torcida vibra enquanto os primeiros passes são dados. Os rivais
começam a se estudar, com curiosidade no ínicio e com um ar de certa
malandragem logo depois.
O primeiro a entrar em cena é o olhar. Centro médio, estilo
argentino. Elegante como um ganso. Arma jogadas com perfeição, deixando
zagueiros e volantes comendo grama quando passa. Ele ginga pra um lado, ginga
pra outro e faz jogada ensaiada, passando a bola para o sorriso.
Sorriso, irônico, lateral esquerdo de velocidade. Ele avança
pelas beiradas do campo,tanto zunindo em direção à meta quanto desarmando, tudo
com a mesma facilidade. Porém desta vez, é desarmado por um olhar doce como o
mel, que é atirado em sua direção tão ligeiro quanto um ponteiro.
O centro médio pega a bola. Aquela piada para os amigos, a
disfarçada, o gole de cerveja. A jogada recomeça. Ele vai, avançando pelo
gramado, desviando de mesas, cadeiras e bebidas estendidas.
Chega na área, mas os zagueiros adversários o intercepta.
Ele paassa pelo amigo bêbado, a amiga feia e a amiga bêbada e feia. Consegue driblar
a marcação e oferece uma cerveja. Ela nega. Voltam os volantes, que passam para
o centro médio e para o lateral. Sobe o atacante. Ele se aproxima, ela
sorri...pênalti.
No final do jogo, o técnico pede a substituição e a torcida vibrando,
enlouquece. E o coração, centro-avante de ofício, que estava lesionado há tanto
tempo, volta ao gramado sorrindo.

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