
Lá estava o velho rio, lar de peixes, sapos, rãs e outros animais aquáticos. Lá ia o rio correndo eternamente pelos caminhos secretos do mundo, veloz em direção ao mar. O rio que alimentou e matou a sede, que divertiu e inspirou, que fez rir e chorar.
O rio que viu Pedrinho aprendendo a nadar, que viu Ana Lucia caindo pela primeira vez, que ensinou Zé Roberto a pescar, que ouviu os sussurros e gemidos do Zezinho perdendo sua virgindade.
E ai esta o rio de hoje, lar de restos e excrementos, correndo e poluindo os caminhos secretos do mundo. O rio que mata, adoece,ameaça e entristece. O rio azul e espumante que carrega os restos de uma sociedade imunda, o rio que olha para a humanidade e diz: “Olhem para mim, vocês não passam de um reflexo do que fizeram aqui”.
É o rio que morre por nossas mãos pouco a pouco, agonizando.

0 Pedrada(s):
Postar um comentário