terça-feira, 26 de maio de 2009

Zé das Folhas.


Ele chegou cambaleando, ziguezagueando pela calçada, como todo bom bêbado deve fazer, vinha não se sabia de onde, ia não se sabe para onde. Seus pertences ele carregava com ele, a viola a tira-colo, sua mochila, seu chapéu, e um par de havaianas surradas. Sentou-se na mesa bem ao centro do bar e pediu licença para se apresentar, estanho que justo aquela mesa estivesse vaga, como se estivesse esperando que o astro da noite chegasse para começar seu show.
Abriu a mochila e dela tirou um pandeiro e uma sacola, dessas de supermercado, cheia de folhas. Colocou uma entre a falha que possuía nos dentes, e logo começou a assoviar, e o som saia como uma dessas gaitas de boca, ou até melhor. De repente das minhas risadas fez-se o meu silêncio, e do meu silêncio uma espécie de respeito. Tudo porque aquele pobre diabo não estava ali tocando por dinheiro, ele tocava por cachaça, por comida, por míseros trocados, ele tocava para sobreviver e como tocava bem o danado.
E mesmo com alguns tantos batendo palmas, a maioria continuava a gargalhar daquele velho violeiro, ali estava a personificação da musica brasileira atual, mesmo com alguns tentando ajudar a grande maioria transformava o show em algo risível, um verdadeiro espetáculo tragicômico. E o pior de tudo é que o Zé nem ligava, e continuava tocando, afinal o show não pode parar.

2 Pedrada(s):

Lele disse...

Oii Dony... uahauhauuha muito tri o texto... parece até história de livro clássico brasileiro... Beijos

alan disse...

bixo...deixa t dize q eu conheci esse cara a uns tantos anos atras la no KAPPE! !